OS SABORES DA RIVIERA MAIA

GUACAMOLE E TORTILLAS

Conheça uma pitada dos incríveis sabores da Riviera Maia, sob a ótica do jornalista e parceiro Jaime Borquez. (Texto e fotos por Jaime Borquez).

TULUM

Parafraseando ao escritor Erich Von Däniken, cabe se perguntar: os maias eram astronautas? Após visitar suas pirâmides, os observatórios estelares, as estranhas figuras desenhadas em Chichen Itzá ou em Tulum, a resposta pode estar mais para o não que para o sim. Mas o que é absolutamente certo é que os nativos desse tempo e os herdeiros atuais, que vivem ao longo dos 120 km do litoral da Riviera Maia, na região mexicana de Yucatán, sabem mesmo pilotar um fogão com mestria divina.

VARAL DE GRÃOS

Sua culinária traz o sabor dos deuses, que premiaram esta região com variados tipos de feijão, abóbora, milho e chiles, como eles costumam chamar os ardidos tipos de pimenta que possuem. De todos esses produtos é, com certeza o milho, a base de muitas de suas comidas. Nem todo mundo sabe que os europeus conheceriam esta delicia só depois de que Colombo voltasse à terrinha. A historia conta que no dia 15 de novembro de 1452, dois mensageiros do descobridor, que tinham explorado Cuba, declararam ter visto uma classe de grão, a qual eles chamam de maiz, de bom sabor cozinhado, seco e em farinha. Já nessa época, o milho era cultivado do Chile até o Canadá.

TORTILLERAS

As tortilhas são a base de muitas comidas da riviera maia. A mais típica é a preparada com a massa de nixtamal, feita de milho cozido com limão doce, que eles chamam de lima. Estas substituem o pão e, segundo o antropólogo americano Michael D.Coe, sem a invenção da técnica do nixtamal, nenhuma vida sedentária teria sido possível na America Central. Ela fornece ao organismo a quantidade necessária de nutrientes para manter o corpo em equilíbrio entre o esforço físico e o gasto de energia que este produzia.

TULUM

E até hoje os mexicanos usam a tortinha para tudo. Basta lembrar que os mundialmente conhecidos tacos, tem como base uma tortilha de milho. A importância que se dá neste país às tortilhas é tanta, que o boato surgido certa vez de que poderiam subir de preço, rendeu manchetes e primeiras páginas dos mais importantes jornais da riviera maia, alem de acaloradas discussões na freguesia das “tortillerias”.

CEVICHE COM MILHO KIWI E JALAPEÑO

Alguns dos descendentes do nixtapal são as tostadas, as garnachas, as picadas, as tlayudas, as enfrijoladas, enchiladas, chalupas, quesadillas, peneques, esquites, chilmole, panuchos, tacos e tlacoyos. Ainda podem ser preparados vários tipos de doces, como o pinole, gorditas de maíz, gorditas de maíz cru, corundas y uchepos, além de bebidas, como a chicha.

RISOTO DE VÔNGOLE

Embora se diga que os maias desapareceram de um dia para o outro, ou quase isso, a verdade é que, segundo o próprio Coe – um dos maiores mexicanistas do planeta – “os maias dificilmente são um povo desaparecido, porque ainda hoje somam sete milhões e meio de pessoas e são a maior nação indígena americana ao norte do Peru”.  Suas tradições culinárias continuam firmes neste lado de Yucatán. Não estão, claro, nos fastfoods  da Quinta Avenida de Playa del Carmen, mas com um bom faro e a intuição gastronômica própria de um mínimo sibarita, é possível se achar maravilhosos sabores yucatecas.

DIVORCIADO – SOPA DE MILHO E ERVILHAS

Estes são famosos mundialmente e nascem da interminável combinação de especiarias e condimentos com os quais os pratos podem ser preparados. Sementes, orégano, cominho, cebola roxa, alho, laranja azeda, lima, pimentas variadas, desde as suaves até as quase insuportavelmente fortes, como o chile doce, o xcatic, o habanero  o max. E se a isso adicionamos todo o leque de tipos e cortes de carne que oferecem o frango, a vaca, o peru, os animais de caça, os peixes, mariscos, moluscos, mariscos, crustáceos, assim como o feijão, o arroz, a batata e as frutas, podemos chegar a entender que a cozinha yucateca quase não tem fim.

LOMO DE VACUNO COM ASPARGOS

Um dos ingredientes básicos da gastronomia local é o recado, que provem da palavra latina recaudo, que quer dizer condimento. O mais comum é o vermelho, que adiciona justamente essa cor nos pratos. Explicar seu sabor? Impossível, só provando um dos centos de pratos locais. Ele se vê nitidamente no pibil. Outro é o Recado Preto, que se prepara com chile seco e pode ser admirado em cor e sabor no tradicional chilemole.

CARNE SECA DESFIADA

Para apreciar os sabores tipicamente maias, o viajante deve muitas vezes esquecer o centro e se dirigir até a periferia ou se internar nas cidadezinhas do interior, como Valladolid, Izamal, Mérida, por nomear só alguns. Nos últimos anos, com o advento do turismo até essa região, cujo começo é novíssimo, só em 1974 e tendo Cancun como estrela d’alva desta explosão quase incontrolável, a gastronomia maia foi se misturando, se fusionando com outras, como a latino-americana e a asiática.

CEVICHE COM SUCO DE KIWI E LIMÃO

O turista procura sim, pratos com raízes locais, mas também está atrás da cozinha fresca de produtos do mar, o qual está sempre chamando com aquele cheirinho que traz a maresia. Daí que podemos iniciar uma refeição com o típico guacamole, feito com abacate moído, temperado com cebola, coentro, tomate e pimenta, passar depois para um ceviche com raízes peruanas e terminar com um coelho escabechado, tudo regado, claro, com a cerveja mexicana, mais suave que a nossa, servida com o clássico naco de limão.

CERVEJA COM LIMÃO

A Riviera Maia é toda uma surpresa, tanto em paisagens como em cardápio. Por isto o melhor é sentar num restaurante simples com cara de mexicano maia e esperar pelas novidades que nosso paladar, seguramente, vai receber. Em tempo: tudo muito bem regado à tequila, tequila e mais tequilas…

TEQUILAS PREMIUM

RIVIERA MAIA

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O COLUNISTA

JAIME BORQUEZ

Jaime Borquez é um jornalista chileno que morou por 40 anos no Brasil e atualmente reside no Chile. É colaborador e parceiro deste caderno de gastronomia e turismo.
Empresário no ramo hoteleiro, é proprietário da Casa Chinook, um retiro rústico especializado em pesca esportiva (com mosca), situado no coração da Patagônia Indômita, às margens do rio Mañihuales, na região de Aysén.

CONTATO
Cel: +56 9 7618-4695 – www.casachinook.cl

 

Paulo Greca

Jornalista especializado em gastronomia e turismo - Parceiro no PORTAL DA BAND e colunista das revistas DROPSMAG - MENSCH - COOL MAGAZINE - BRASIL TRAVEL NEWS - VINHO MAGAZINE - Membro oficial do júri do CONCOURS MONDIAL DE BRUXELLES / EDIÇÃO BRASIL - Mail: jornalismo@paulogreca.com.br

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